Abaixo, vídeo de 21 minutos que, apesar de ser um filme para americanos baseado em algumas afirmações que não concordo, afirma muitos fatos que são sistematicamente ignorados pelos meios de comunicação e que constituem a centralidade da vida nesse início de século.
Muito há que se dizer sobre os processos produtivos e os resultados para as pessoas.
Esse vídeo, embora tenha uma dublagem um pouco chatinha, ajuda a pensar.
Divirtam-se e não se esqueçam: há muito mais!
Sobre o Fascismo nos Pampas
Tempos sombrios são os vividos no Rio Grande do Sul.
Em 2006, a classe média gaúcha (eu já falei sobre isso aqui) não queria o Olívio e o PT no Governo do Estado. Por um lado diziam que o PT e o Lula tinham traído sua história, que não havia mais esperança, que o PT era igual ou pior que o resto. Esse foi um voto descontente, de quem quer renovar (como se renovar fosse trocar os atores da peça) e, por isso, despolitizado. Por outro lado, houve um voto ideológico, de quem não gosta de sindicalistas e de movimentos sociais (o pessoal que anda de vermelho na rua), um voto do empresariado, um voto de quem quer polícia pra bandido, enfim, o voto de 2006 da classe média foi um voto levou pela primeira vez os tucanos para o centro do poder político no Estado.
Mas eles nao foram sozinhos, levaram consigo toda direita tradicional do RS... resultado: corrupção, choque de gestão, autoritarismo e violência policial. Esse é o resumo de 1 ano e meio de gestão demo-tucana no RS. Amparados pelo bloqueio midiático.
Abaixo mais um vídeo, dos tantos feitos recentemente, que mostram como a polícia trata manifestações políticas.
Eu diria até, para fins retóricos, que gostaria de ver uma ação dessas acontecendo em um governo do PT no RS e ver o estardalhaço da mídia. Eu diria, mas não direi. Eu não quero ver violência do estado em nenhuma circunstância. O consenso criado de que baderna se resolve à cacetete é o resultado prático de um discurso hegemônico que privilegia negociatas em gabinetes a discussão democrática, que quer retirar das ruas, simbolicamente, e do espaço público a política, colocando toda e qualquer polêmica ideológica dentro dos quadros de TV, canais que, não é demais dizer, pertencem algumas famílias.
A única saída para a crise é a organização e a ação política. Sem desespero e sem superficialidades. Sem espetáculo e sem hipocrisia. Como isso é possível? Primeiro é necessário derrotar o Governo Yeda e furar o monopólio da mídia. Como isso é possível? Com ação política. Não há saída para a democracia sem política. E não há política e democracia onde houver a saída única da violência policial e da criminalização da política.
Abaixo um vídeo que mostra parte de uma realidade. Não há mocinhos e bandidos no vídeo. Precisamos pensar sobre o sentido do que está em disputa. O vídeo tem problemas, é claro. Mas ele mostra algo que a TV esconde dia após dia. Eu já participei de umas 20 manifestações nas ruas e é bonito compartilhar com pessoas que não se conhece finalidades comuns - sintetizadas, às vezes, em tenebrosas palavras de ordem. Todo mundo critica os mais exaltadinhos, é preciso contê-los, todos sabem disso, em geral, a turma do deixa-disso está atenta... mas nada disso diminui a necessidade e a importância de quem sai de casa e vai às ruas para dizer que quer mudar as coisas e que não está conformado. Sempre há muita razão para estar na rua.
Não deixemos de ir às ruas. (leiam a poesia do Benedetti no post abaixo!) Saudações de luta!
amor em español é "te quiero"!
(publico esses versos desenhados por Benedetti para a amiga Verônica - que acredita no amor e lembrou-me hoje que tenho um blog a ser atualizado.)
Te Quiero
"Tus manos son mi caricia mis acordes cotidianos te quiero porque tus manos trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos mi amor mi cómplice y todo y en la calle codo a codo somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro contra la mala jornada te quiero por tu mirada que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía tu boca no se equivoca te quiero porque tu boca sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos mi amor mi cómplice y todo y en la calle codo a codo somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero y tu paso vagabundo y tu llanto por el mundo porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola ni cándida moraleja y porque somos pareja que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso es decir que en mi país la gente viva feliz aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos mi amor mi cómplice y todo y en la calle codo a codo somos mucho más que dos."
(Mario Benedetti)
Eu tenho lado!! Sim à luta do MST.
Não há sociedade sem conflitos. Nossa sociedade é especialmente conflituosa porque é desigual, forjada na violência e na exclusão. Existem organizações que lutam legitimamente por direitos e por transformações. Em todos os momentos em que grupos populares questionam a estrutura da sociedade toda a máquina funciona para a repressão. Não à violência contra o MST. Reforma Agrária SIM.
O rio grande do sul é um estado cheio de orgulho de sua história. Não é por acaso que o hino do Estado tem como refrão o trecho abaixo (título da postagem colada do RS Urgente). Vale a ironia. Concordo com a análise de que é um momento sem precedentes. É necessário reagir. O medo e a desinformação são as armas dos fascistas para restringir liberdades e eliminar (colocar na ilegalidade) os grupos de esquerda. No contexto neoliberal que tomou conta do Estado, a violência e a corrupção são duas dimensões da política executada pelo grupo dominante para se manter no poder. A RBSTV - monopólio midiático no RS e SC - é o instrumento de construção de consenso necessário para reprodução desse grupo no poder.
Vamos ao que disse o Marco!
Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra
O retrocesso político no Rio Grande do Sul começa a virar tema de interesse nacional e internacional. Flávio Aguiar escreve, de Berlim, anunciando que já está sendo organizado, na Alemanha, um movimento de apoio ao MST e aos movimentos sociais contra a tentativa de criminalização patrocinada pelo Ministério Público gaúcho. Em São Paulo, a colunista Maria Inês Nassif, do jornal Valor Econômico, escreveu: “a ação articulada e rápida do MPE, da Justiça e da polícia gaúchas está cassando direitos civis e políticos de cidadãos brasileiros. Inclusive o direito ao voto”. Na revista Carta Capital, o cientista político Aldo Fornazieri afirmou: “Nem na ditadura militar, proibiu-se que um movimento social negociasse com o poder público em torno de reivindicações. Nunca vi isso”.
a participação possível
Segue convite para a audiencia publica municipal do Plano Diretor Participativo.
Será dia 03 julho às 19 horas no Clube 12 de agosto, no Centro de Florianópolis.
Ao longo do último ano, houve diversas reuniões nos distritos do Plano Diretor e, por fim, houve uma rodada de audiência públicas para "aprovar" a leitura comunitária sobre a cidade, com encaminhamento de propostas para ser incorporadas no Plano Diretor. Agora, a Audiência Pública Municipal deve aprovar as diretrizes para a Cidade. De certa forma, trata-se do momento para a realização ou não de um Pacto sobre o modelo de cidade e sobre quais limites devem existir em Florianópolis.
LA ZONA
Outro dia assisti ao filme mexicano-espanhol La Zona (em português, para variar, um nome tosco: Zona do Crime), dirigido por Rodrigo Plá. Como os amigos sabem, estudo planejamento urbano, especificamente preocupo-me com o tratamento jurídico da cidade como espaço de segregação social. O filme situa-se exatamente nesse debate. Os ricos, para escaparem da "violência", relacionada diretamente com a pobreza e a desigualdade, com a perversidade dessa perspectiva, acabam se fechando em condomínios cada vez mais alheios ao público, seja ao controle do Estado, seja a vivência no espaço público livre.
A personagem do filme é A Zona, que resiste a acontecimentos irritantemente humanos como a dor e a morte dos "invasores", a indiferença e a desconfiança dos "insiders", a consciência e a coragem de algumas pessoas que vão por necessidade agindo contra A Zona (a ordem que deve ser preservada).
Discutir democracia e cidade parece bobo ao final deste filme. Pois é exatamente isto que faço.
O que me move deve ser o sentimento compartilhado por alguns dos personagens do filme: um sentimento de necessidade. Olhando com maior frieza, penso que a zona veio para ficar.
Aos que ficam do lado de fora resta uma opção: derrubar os muros!
Assista ao Trailer:
Em 2006, foi eleita governadora do RS a economista tucana Yeda Crusius. A síntese de sua política era representada pelo slogan: "um novo jeito de governar", que desde a época estava associado com privilégios aos grande empresários, alianças com o partidos políticos conservadores e "choque de gestão". Uma peça publicitária comprada pela classe média gaúcha, insatisfeita com o Governo do PMDB (Germano Rigotto) e antipática a candidatura do PT (Olívio Dutra).
Apesar da blindagem "concedida" pela Rede RBS, não cessam as denúncias sobre o Governo do RS e a prática do que há de mais velho na política brasileira: autoritarismo e privilégios (DETRAN, BANRISUL, fechamento de escolas, cortes em todas as áreas, concessões de benefícios fiscais a papeleiras e outras multinacionais...)
Na última semana, finalmente, o vice-governador, motivado por interesses pessoais, divulga um fita em que o Chefe da Casa Civil (César Busatto) explica como de fato funciona o governo.
Desde então, a juventude e os movimentos sociais que já vinham denunciando os acontecimentos tem ido pra rua mobilizar a população contra esse Governo, hoje, a violência chegou a niveis inéditos até para esse governo.
Neste momento, está acontecendo um ato de advogados e advogadas em frente ao Palácio da Polícia para pressionar que sejam liberados os manifestantes agredidos e presos hoje. Obviamente, as medidas judiciais já foram tomadas por parte dos advogados.
Mais informações sobre os acontecimentos de hoje e a crise no Palácio Piratini podem ser encontrados, por exemplo, em http://www.rsurgente.net/.
nao tenho nada a dizer...
Hoje tive muitas coisas para fazer. E alguém me chamou para conversar sobre o fato de alguém estar viciado em drogas. Depois de muito conversar para tentar ajudar alguém a ajudar o estranho, fiquei pensando em quanto é triste, muito triste, a situação das pessoas que não têm em quem confiar num momento como esse.
O suposto viciado não confia em seus pais. A mae, desesperada, não sabe o que o filho usa. Como isso é possível? como as pessoas não reconhecem o fato de o filho estar sob o efeito de drogas? Não quero fazer discursos morais, afinal, todos usam alguma droga. haja farmácia, bar e tabacaria...
O que me deixa incomodado é o fato de que essa política burra de combate às drogas não permite que as pessoas procurem ajuda e deixa viciados na mão de traficantes.
Legalizar o uso e avenda de drogas leves. Criar políticas públicas de redução de danos e de prevenção ao abuso. Restringir a política de internações. Ampliar o debate na sociedade para diminuir o maniqueísmo e a cegueira religiosa... enquanto eu sonho, uma pessoa pede ajuda... Sim, ele fez várias coisas óbvias para deixar claro que não consegue sozinho.
O crack me assusta, os relatos são tristes, espero que não seja o caso. Gostaria de saber de casos de recuperação da pedra.
Hoje procurei muitos saites sobre o tema e o que encontrei de melhor foi da REDUC (Rede de Redução de Danos) e da UNIFESP. Mas parece que a informação não está disponível. E as pessoas pobres ficam vulneráveis à ação da polícia ou do tráfico. A classe média em geral sempre poderá contar com terapia, viagens, tratamentos, etc.
E o rapaz foi roubar um tênis Nike...
hoje um rapaz de uns trinta anos pediu dinheiro para comprar remédio para sua filha. pouco importa se era verdade. Tem sido frequente pessoas tocarem em minha campanhia pedindo comida. Tenho dedicado bastante do meu tempo a estudar e a pensar sobre os direitos humanos, a política e as ações necessarias para mudar algumas coisas. Acho que tenho me dedicado pouco. Vou continuar: na universidade, na política, na vida pessoal, como em Thiago de Mello, "sabendo que não vou ver o homem que quero ser".
A sociedade espelhada: o humano e o animal
(retomando reflexões para conjugar o verbo viver no infinito...)
Não saberia precisar quando, sem o auxílio da literatura, se deu a separação entre o humano e o animal, mas ela é com certeza secular. Sei falar, contudo - melhor seria gritar - das múltiplas formas de violência que esta separação gerou. Das relações de domínio produzidas em nossas sociedades, a denúncia radiográfica foi sendo seletivamente cumulativa: o materialismo e a exploração de classe, o feminismo e a subordinação de gênero, o anti-racismo e a discriminação racial, o ecologismo e a depredação ambiental... O biocentrismo e a violência contra os animais.
Sem dúvida, das violências denunciadas, Eles foram os condenados ao maior silêncio, à menor possibilidade de resistência, e por tempo mais duradouro, muito mais duradouro, bem como têm sido o ancoradouro de todas as outras formas de violência denunciadas, num único corpo indefeso, seres coisificados.
No mundo animal, se reproduz a violência de classe, existindo animais ricos, remediados, pobres e completamente excluídos. Falando sobretudo de cães e gatos, existem animais que desfrutam das delícias do consumo desenfreado de seus donos, consumidores ávidos de Pet shops que não param de se multiplicar , pois o mercado capitalista não poderia deixar de descobrir esta mercadoria tão lucrativa do bicho sacralizado. Existem animais de classe média que desfrutam o conforto razoável que seus próprios donos têm e ainda o afeto necessário como alimento vital. Mas existem os cachorros e gatos pobres, abandonados e dispersos que, com o olhar perdido, não raro acompanhando os cavalos de carroça na lida dolorosa sobre seus ombros calejados pelo peso das cargas sem fim , pelas ferraduras e os freios, pela dureza das ferragens, pela repetição dos golpes que exigem o trote sem fôlego e o implacável cansaço da fome.
E, como as meninas e meninos, como os mendigos e vagabundos, como a legião de excluídos que perambula pelas ruas sem nenhum alimento afetivo e material, eles estão lá!
Todos, calejados pela fome e contaminados pelas doenças que lenta e letalmente vão matando seus corpos e maltratando suas almas, eles seguem lá!
E o seguem sob a invisibilidade contínua, cotidiana e cruel, dos transeuntes que passam sem qualquer olhar, nem mesmo de compaixão.
Eles permanecem lá!.. até que a polícia, a troca de balas, a carrocinha da Prefeitura aborte a dor com um sono eterno e providencial.
Alguns, lá nascidos e multiplicados; outros, lá abandonados. O abandono dos animais é um ato único de violência , porque se trata de um exercício pleno de poder contra quem não detém nenhum poder e nenhuma possibilidade de defesa e resistência, de sobrevivência autônoma.
A naturalização e a covardia com que o humano abandona o animal , esta infestada covardia humana não tem igual entre os animais de cujo natureza ele participa , numa nefasta relação de superioridade racial. Este humano nojento!
E os preconceitos estão lá, na linguagem cotidiana: no "vagabundo" simbolizado no cachorro ; no senso comum lingüístico que replica que " este homem é um animal," um selvagem, um bicho. O gato é o desaguadouro de um preconceito de forte rejeição; o gato é o traidor, que não estima o dono, apenas a casa, então é um materialista . Seu revés, o cachorro, se bem nascido, é portador de um estereótipo benfajejo: fiel à guarda do próprio dono, é o espelho no qual os humanos projetam, ainda que profundamente equivocados, sua auto-imagem civilizatória. E os incontáveis animais da selva, que o mercado capitalista não poupa, do terror da vivisecção inútil ao extermínio, passando pelo tráfico e o cativeiro, Mas o preconceito e a discriminação social talvez não tenham comparativo com os animais negros, sobretudo as fêmeas.
Os animais , no entanto, são fies, sua fidelidade é infinita e comovente. O preconceito é nojento: a adoção dos animais passa pelo crivo da superioridade racial: branco, jovem, macho, bonito e perfumado: de tope no pescoço! O estereótipo tem uma repulsiva dimensão estética, exibicionista, própria dos humanos. A ostentação dos animais é para compensar a ausência de poder social. E que dizer da vergonha humana, ocultada, sonegada, da procedência dos macacos? A irracionalidade como estigma da demarcação excludente e inferiorizadora ( nós e os bichos). A arrogância, o descaso, a sujeição à merda humana.
Mas também há que se falar de AMOR, um amor quase incontido, incondicional dos humanos que se rendem, cotidianamente e sem estrabismos estéreis, à condição animal, ou melhor, dos "outros" animais diferentes de si e conseguem ver neles, não um "outsider" , mas um diferente. Dos humanos que acolhem, dos humanos que se abrem para receber uma das mais venturosas expressões de afeto que os bichos , e só eles, são capazes de doar. Dos humanos que compreendem o significado transcendental desta relação. Implora-se pela libertação animal, pelo extermínio do trabalho escravo dos cavalos, do olhar derradeiramente triste dos cães e gatos Implora-se, não a piedade ou a comiseração, mas a abertura para uma nova relação, de interação, de troca e, de amor.
Humanos, digam sim à dignidade animal e naquela escrita secular que nos fala dos direitos humanos, escreva-mos direitos vitais, redefinindo toda uma vida e uma cartilha na qual eles ingressem com respeito e compartilhamento, como a natureza inteira, feita irmandade e companhia. Contra a herança da sociedade espelhada , em que o animal foi feito à imagem e semelhança do humano e de suas múltiplas relações de violência , à imagem do que de pior e de melhor na sociedade antropocêntrica se construiu, despojemo-nos por um instante, para aprender e acolher, a todos: cavalos, cães, gatos, pássaros, corujas, coelhos, leões, tigres, elefantes ...ratos e serpentes, cada um a seu modo, na sua diferença e não no preconceito com decodificamos seus comportamentos e sentimentos. Escutemos os animais, e nesta escuta curvemo-nos à humilde condição de seres vivos que somos e temos tudo a aprender com eles; e com os animais aprendamos a escutar e conceder voz às crianças, aos velhos, aos deficientes, aos que nada tem, ou de quem tudo despojamos em nome de uma racionalidade excludente. A inclusão requer, em definitivo, a superação da secular dicotomia Natureza/cultura, em nome de um indiferenciado e cósmico respeito à vida: inclusão é o maior desafio e nela está a melhor fraternidade da terra.
Referência:
ANDRADE, Vera R. P. A sociedade espelhada: o humano e o animal. Jornal Miguelito. Ano V, n.58, Florianópolis, verão 2007, p.8.
La Faute à Fidel!
O filme A Culpa é do Fidel (de Julie Gravas) é brilhante. engraçado, bonito, bem dirigido. Trata da difícil relação entre uma menina habituada com sua vida burguesa que ve sua família mudar radicalmente a partir de acontecimentos políticos radicalmente importantes na virada dos 60 pros 70.
há muito o que falar sobre o filme. contudo, penso que é o mais importante é que é preciso assisti-lo.
Depois disso, é continuar a trabalhar para viver o verbo transformar o mundo no infinito.
Dias Melhores Verão
Desfruta
sem pressa
Essa tua primavera
Quando o verão chegar
e fores fruto maduro
Vou te colher com apuro
e te comer de colher.
(Germana Konrath, poesia de um ônibus em Porto Alegre, lida no inverno, aguardando o momento certo para ser recuperada.)
O Verbo no Infinito
Ser criado, gerar-se, transformar O amor em carne e a carne em amor; nascer Respirar, e chorar, e adormecer E se nutrir para poder chorar
Para poder nutrir-se; e despertar Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir E começar a amar e então sorrir E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver E perder, e sofrer, e ter horror De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer tudo ao vir um novo amor E viver esse amor até morrer E ir conjugar o verbo no infinito...
(Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor: Crônicas e Poemas, Cia. das Letras)